Memórias de Portas Abertas

O antigo Café Roxel e o hotel do Servatiiplatz, na Wolbecker Straße

De terreno ajardinado a endereço de hotel

O terreno situado na esquina do Servatiiplatz com a Wolbecker Straße era originalmente uma área de jardins fora dos portões da cidade de Münster. Quando a expansão urbana ultrapassou o anel da Promenade, na segunda metade do século XIX, a propriedade passou a ser procurada para construção. O edifício que se ergueu ali teve uma história de mudanças sucessivas: hotel, restaurante, café, salão de dança, cinema britânico e, por fim, prédio comercial.

Münster recebeu sua primeira estação ferroviária em 1848. Ela ficava cerca de cento e cinquenta metros ao norte da estação posterior. Naquela época, a linha férrea ainda seguia pelo traçado correspondente à atual Friedrichstraße. A transformação das áreas próximas à estação contribuiu para as possibilidades de ocupação do terreno da esquina.

A construção e as primeiras transformações

O crescimento da cidade modificou o entorno do Servatiiplatz. As antigas áreas abertas deram lugar a edifícios e estabelecimentos. A posição do imóvel, na passagem entre o centro e os caminhos de saída, tornava-o visível a moradores e visitantes. Ao longo dos anos, as diferentes atividades comerciais alteraram os espaços internos e o aspecto da construção.

O empreendimento reuniu hospedagem e gastronomia, acompanhando as mudanças na maneira como os habitantes utilizavam cafés, hotéis e restaurantes. O estabelecimento não se limitava a oferecer quartos: possuía ambientes de convívio que atraíam pessoas da própria cidade.

O Westfälischer Hof, o Café Royal e o nome Roxel

A ferrovia também mudou de lugar. O traçado mais largo registrado no mapa de 1892 já correspondia ao percurso que continuou em uso posteriormente. O imóvel assinalado no mapa era utilizado como residência no cadastro de moradores de 1875. Com a abertura de novas ruas e a expansão das construções, a área adquiriu um aspecto cada vez mais urbano. A estação central inaugurada em 1890 ficava aproximadamente cento e cinquenta metros ao sul da anterior.

A proximidade da estação favorecia os hotéis. Além do Westfälischer Hof, outros dois grandes estabelecimentos ficavam perto dos trilhos e acabaram destruídos na guerra: o Continental, na esquina da Bahnhofstraße com a Windthorststraße, e o Monopol, no Servatiiplatz. O Westfälischer Hof já existia em 1894, possivelmente alguns anos antes, e pertencia a Hermann Pauli.

Wilhelm Grote assumiu o hotel em 1903. Dez anos depois, o terreno vizinho recebeu o Café Royal. Com o início da Primeira Guerra Mundial, o café mudou de nome e passou a chamar-se Café Roxel. O nome francês Royal já não combinava com o ambiente político e patriótico daquele período. A escolha de Roxel teve também uma razão econômica: exigia alterar apenas duas letras da inscrição na fachada.

Restaurante, café, bar e salão de baile

O hotel passou por uma ampla reforma, com renovação e reorganização dos interiores. Uma fotografia reproduzida no artigo de Henning Stoffers mostra a decoração sóbria e harmoniosa do restaurante. Os ambientes estavam equipados com ar-condicionado, uma característica destacada especialmente pela imprensa da época. A decoração do restaurante usava motivos da Antiguidade clássica.

O café, o salão de baile e o bar ofereciam, juntos, mais de setecentos lugares. O conjunto foi decorado e mobiliado para atender a um público exigente. Para os habitantes de Münster, aquelas salas elegantes e luxuosas representavam um atrativo especial. Ali eram realizadas festas, danças e encontros pessoais.

As pessoas se conheciam durante as reuniões e os bailes. O autor observa que algumas histórias amorosas talvez tenham começado ali e outras terminado no mesmo lugar. A administração também se preocupava com o cálculo das gorjetas, que deveriam ser contabilizadas pelos funcionários até o último pfennig.

Imagens e publicidade do estabelecimento

O arquivo apresenta registros da publicidade em bondes, da decoração do restaurante, da fachada no inverno e de festividades realizadas nos salões. As fotografias mostram diferentes aspectos do estabelecimento e permitem acompanhar a importância do café e do hotel na vida social urbana.

A sala de refeições tinha uma ornamentação que procurava conferir distinção ao ambiente. A climatização foi apontada na imprensa como um recurso notável. O espaço de dança e o bar completavam as instalações gastronômicas, formando um conjunto com capacidade para centenas de visitantes.

A destruição durante a guerra

O edifício foi gravemente danificado pelos bombardeios. Uma das fotografias mostra apenas parte das paredes ainda de pé. Quase nada restava do esplendor de décadas anteriores. A destruição interrompeu a história do grande complexo de hotelaria e gastronomia naquele endereço.

Depois da guerra, a atividade gastronômica chegou a continuar, por pouco tempo, em dependências reconstruídas e adaptadas numa escala bem menor. Uma carta de vinhos de 1950 mostra que o estabelecimento voltara a apresentar um sortimento considerável de bebidas. Os preços, contudo, eram relativamente altos para aquele momento.

A fase do grande hotel e de sua operação gastronômica terminou nesses anos. A recuperação limitada do serviço de refeições não significou o retorno das instalações luxuosas e dos grandes salões que haviam caracterizado o imóvel.

O cinema Globe para os britânicos

Na década de 1950, os britânicos construíram no terreno, então desapropriado, um cinema destinado a seus militares e familiares. O cinema recebeu o nome de Globe. Foi outra etapa da utilização do mesmo endereço, agora associada a sessões de filmes em vez de hotelaria e dança.

O edifício do cinema também teve vida relativamente curta. Foi demolido já no fim da década de 1970. Em seu lugar surgiu um prédio comercial, com o estilo arquitetônico daquele período. Nas proximidades, foi erguido o edifício alto Iduna, cujo canteiro de obras aparece em uma fotografia tomada do cinema Globe.

Um endereço transformado ao longo de quase 150 anos

O relato reúne quase cento e cinquenta anos de acontecimentos ligados a um único terreno da cidade. No momento em que foi escrito, praticamente nada permitia reconhecer o antigo hotel magnífico, seu café elegante, os espaços destruídos na guerra ou o cinema que funcionou depois.

Durante décadas, aquela esquina do Servatiiplatz fora um dos lugares de encontro da vida social de Münster. As sucessivas construções e demolições mudaram profundamente a paisagem num intervalo relativamente curto. O autor observa que, por trás das transformações dos edifícios, também existiram numerosas histórias pessoais que não podem mais ser recuperadas somente pela aparência da rua.

As fotografias utilizadas no artigo foram atribuídas a Dieter Grote, Carmen Preston e Henning Stoffers. O autor agradeceu especialmente a Renate e Dieter Grote pelas informações e pelo material fotográfico colocado à disposição da pesquisa histórica.