Memórias de Portas Abertas

Os bares antigos Zum Schwan e Kortmann: memórias das ruas de Münster

Um passeio pela cidade nas décadas de 1960 e 1970

Henning Stoffers apresenta a terceira parte de um passeio fotográfico por Münster nas décadas de 1960 e 1970. O percurso reúne antigas tabernas, bairros recém-construídos e lugares cuja aparência mudou ao longo de meio século. Nas primeiras partes, a caminhada se concentrava no centro antigo e nas áreas para além do anel da Promenade. Nesta etapa, as tabernas e os novos bairros dividem a atenção com outras particularidades da cidade.

Ao longo de cinquenta ou sessenta anos, o aspecto urbano mudou tanto que certos lugares das fotografias antigas quase já não podem ser reconhecidos. O autor convida os leitores a comparar as imagens com as ruas que conhecem e a contribuir com fotografias guardadas daquela época.

O antigo caminho junto à estação de mercadorias

Uma das fotografias mostra o Alfred-Krupp-Weg, paralelo à Friedrich-Ebert-Straße e terminado junto à via de contorno. Um muro cinzento de concreto separava a rua da estação ferroviária de mercadorias. À esquerda ficavam as ruínas da fábrica de máquinas agrícolas Stille, destruída durante a guerra.

Stoffers percorria frequentemente aquele caminho na infância. Saía da casa da família, na Südstraße, atravessava a via de contorno, que então não tinha tráfego, e chegava ao canal. Para as crianças, a região era um excelente espaço de brincadeiras. Elas subiam pelas ruínas perto dos trilhos e observavam os barcos transportados por rebocadores movidos a vapor.

Gelmer, Amelsbüren e a incorporação de bairros

O dia 1º de janeiro de 1975 foi importante para Münster. Uma reforma administrativa incorporou várias localidades próximas à cidade, entre elas Hiltrup, Roxel, Wolbeck e Albachten. Amelsbüren e Gelmer também passaram a fazer parte do município. O caráter rural que as fotografias antigas mostram nesses lugares foi se perdendo ao longo das décadas seguintes.

A paisagem de Gelmer parece, numa das imagens, quase parada no tempo. Outra fotografia apresenta o antigo centro de Amelsbüren. Essas vistas ajudam a situar as mudanças urbanas que acompanharam a transformação das pequenas localidades em bairros municipais.

As tabernas de esquina e o Zum Schwan da Schillerstraße

O autor pergunta aos leitores se ainda recordam a velha taberna da esquina, onde se encontravam amigos e conhecidos para beber uma cerveja e conversar. Estabelecimentos assim se tornaram raros em Münster. As fotografias demonstram como a paisagem gastronômica se modificou: lugares muito comuns cinquenta ou sessenta anos antes desapareceram, muitas vezes porque seus proprietários já não conseguiam manter o negócio rentável.

Uma das imagens é da taberna Zum Schwan, na Schillerstraße. Hubert Kavermann recorda que, na década de 1970, a sala da taberna funcionava praticamente como uma sala de espera para autoescolas. Os candidatos à carteira de motorista eram chamados ali e saíam em duplas no automóvel Volkswagen usado no exame prático.

Às vezes, o candidato só descobria perto do meio-dia se receberia a licença de dirigir. Reprovações não eram tão raras. Kavermann conta que fez o exame em dezembro de 1972 e ficou muito contente quando soube, por volta do meio-dia, que havia sido aprovado. O colega que o acompanhava não teve a mesma sorte: para ele, a prova terminou depois de apenas cinco minutos.

Outras antigas casas de bebidas

A coleção inclui imagens do Zum deutschen Herd, em Gimbte, da Gaststätte Homann, na Wolbecker Straße, e do Mauritz-Eck, na Warendorfer Straße. Também aparecem a Dorbaum-Schänke, em Handorf, e a Gaststätte Kortmann, em Roxel. O conjunto registra estabelecimentos distintos, situados tanto em áreas centrais quanto em localidades incorporadas a Münster.

Os novos meios de comunicação alteraram os hábitos e as rotinas da população. Paralelamente ao fechamento de tabernas, muitos cinemas também encerraram definitivamente suas atividades. Stoffers observa que, no bairro de Kinderhaus, que tinha cerca de dezesseis mil habitantes quando escreveu, a última taberna, Zum Krug, fechara no início dos anos 2010. Para ele, isso representou a perda de um pedaço da qualidade de vida local.

A Gaststätte Kortmann junto à igreja de Roxel

Kavermann acrescenta uma lembrança precisa da taberna Kortmann, visível ao lado da igreja em Roxel. Durante as décadas de 1950, 1960 e 1970, era costume tomar uma aguardente e acender um charuto antes da missa. A aguardente era bebida pela metade, e o copo ficava depositado numa saliência acima do balcão. O charuto também era fumado somente até a metade e escondido na alvenaria da igreja.

Depois da celebração religiosa, os homens retomavam o que haviam deixado: a segunda metade da aguardente e do charuto. Nessa ocasião, também tomavam uma sopa e comiam um pãozinho. O hábito estava ligado ao costume de não comer antes de ir à missa e receber a comunhão.

A aguardente subia do porão por meio de uma bomba e era servida diretamente nos copos. O estabelecimento consumia a bebida em barris, e não em garrafas. Segundo o relato, essa prática permaneceu até cerca de 1990. Uma dose de aguardente custava dez pfennigs; a sopa, cinquenta.

Bairros novos e reconstrução

Na década de 1960, Münster viveu uma expansão imobiliária intensa. A reconstrução dos prédios destruídos na guerra ainda não havia terminado, mas novos bairros começaram a surgir em terrenos anteriormente livres. Entre eles estavam Coerde, Kinderhaus, Berg Fidel, Aaseestadt e Gievenbeck.

Em 1965, Kinderhaus tinha cerca de quatro mil moradores. O planejamento previa prédios de apartamentos com até dez pavimentos, casas, escolas, creches, igreja e centro comunitário. Uma via de quatro pistas circundava o conjunto. O traçado ficou conhecido como Schleife, palavra que continuou a identificar popularmente aquela parte do bairro mesmo depois da redução da largura da rua.

Perto da Torminbrücke, três edifícios altos projetados pelo arquiteto Karl-Friedrich Sommer foram erguidos em 1959. Uma fotografia tirada de um deles mostra a nova Aaseestadt e, ao fundo, os mastros da iluminação do estádio do Preußen. Ali também foram construídos prédios de apartamentos, casas e serviços, embora a ocupação fosse menos alta e densa do que em Kinderhaus.

Outras fotografias documentam o surgimento do Aaseemarkt e do Aegidiimarkt. O terreno deste último abrigava antes o quartel Aegidi, muito destruído durante a guerra e depois usado como estacionamento.

O que desapareceu da paisagem

O passeio mostra ainda que, entre aproximadamente 1900 e o início da década de 1960, havia uma doca seca junto à eclusa para manutenção e reparos de embarcações. Uma vista contemporânea por satélite já não permite reconhecer facilmente aquela estrutura.

A fotografia final apresenta um quintal sombrio junto ao muro da prisão. O fotógrafo Erwin Schröder registrou ali uma pequena construção cuja função não pôde ser determinada: talvez latrina externa, abrigo de animais ou depósito. O autor comenta sua posição junto ao muro, que tornaria o local conveniente para alguém que tentasse escapar da prisão.