Müers Bierkeller, Kerk e antigas hospedarias de Spelle e Venhaus
As hospedarias da antiga Spelle
Desde tempos antigos, Spelle não constituía uma paróquia independente: era uma comunidade rural pertencente à paróquia de Lünne. No lugar existia apenas uma pequena capela em enxaimel, na propriedade Wöhlehof, utilizada para celebrações ocasionais. Foi somente no século XIX que Spelle começou a se desenvolver como município independente. Ao redor da igreja construída em 1870 instalaram-se várias hospedarias. Outras surgiram depois da inauguração da estação ferroviária de Spelle.
Michael Merscher e Andreas Eiynck saíram em busca dessas histórias, ajudados por muitas indicações de Walter Krone, morador de longa data da localidade. Ele ainda se lembra bem do balcão lotado da hospedaria Kerk, nas manhãs de domingo depois da missa solene, quando era preciso disputar o lugar habitual. Recorda também os melhores frangos assados do mundo, preparados pela própria Hanni Müer em sua hospedaria.
A hospedaria Müer e a adega de cerveja
A família Müer mantinha desde aproximadamente 1800 aquela que era a hospedaria mais antiga da aldeia. O estabelecimento funcionava diretamente na rua principal, em uma antiga casa de fazenda. Ao lado, na virada do século, os Müer construíram um depósito com porão para resfriar as bebidas. Ele se tornou amplamente conhecido como Müers Bierkeller, a adega de cerveja dos Müer, ou Müers Loch, o buraco dos Müer.
Entre a casa e o jardim erguia-se uma tília da aldeia com vários séculos de idade. Por isso a hospedaria também recebeu o nome Zur Linde, “À Tília”.
Segers, Frankemölle e Kerk junto à igreja
Bem ao lado da igreja, o antigo trabalhador rural arrendatário Segers fundou, por volta de 1870, a primeira mercearia de Spelle. Pouco depois, o comércio ganhou uma padaria e um espaço para servir bebidas.
A poucos metros dali, também à sombra da torre da igreja, ficava a grande hospedaria Frankemölle, igualmente associada a uma padaria e uma loja de artigos coloniais. O edifício tinha uma característica marcante: uma esquina chanfrada voltada para a praça da igreja, com uma janela falsa e arcos decorativos, verdadeiro trabalho de mestre de um pedreiro do antigo Emsland.
Não muito longe, Heinrich Kerk, vindo de Recke, abriu por volta de 1870 uma hospedaria com comércio de manufaturados. O negócio prosperou especialmente depois que, em 1902, Kerk passou a administrar também a agência postal de Spelle.
Uma atração especial eram os troféus de caça que decoravam as salas, entre eles chifres de antílope. Será que ainda estão pendurados em alguma parede? Na hospedaria Kerk era possível comer com requinte. Entre os pratos conhecidos estava a “salada de sete cores”, servida como acompanhamento de saborosos pratos de carne.
A greve da aguardente de 1909
Até hoje é lendária a greve da aguardente de Spelle, ocorrida em 1909. Naquele ano, os proprietários das hospedarias queriam elevar o preço de um litro de aguardente de oitenta pfennigs para um marco. Os jovens não gostaram nem um pouco da ideia e boicotaram os estabelecimentos. Em vez de se reunir nos bares, passaram a beber juntos na aldeia e na floresta.
O boicote funcionou durante várias semanas, até que começou a esfriar lá fora. Os proprietários acabaram conseguindo impor o novo preço de um marco por litro, mas, em compensação, os clientes podiam tomar sua aguardente dentro de salas aquecidas.
A hospedaria Krone perto da estação
Depois da inauguração da ferrovia Rheine–Quakenbrück em 1879, a família Lukas Schütte instalou uma taverna em sua casa, na diagonal em relação à nova estação. Por ficar perto da ponte sobre o rio Aa, a casa era conhecida como Brüggen Luks.
Quando o proprietário Gerhard Evers-Schütte morreu repentinamente em 1905, sua irmã Anna herdou a propriedade. Ela era casada com o ferreiro Bernard Krone, que então abriu uma ferraria e um comércio de máquinas agrícolas em uma pequena casa logo em frente.
Como também havia uma balança de gado junto à hospedaria Krone, comerciantes de animais e agricultores passaram a se reunir ali. Eram, ao mesmo tempo, clientes do comércio de máquinas agrícolas. Desse começo modesto surgiram, ao longo de pouco mais de cem anos, a atual fábrica de máquinas agrícolas, a LVD, a hospedaria e o Hotel Krone.
Rolf Nöthe, arrendatário durante muitos anos, era conhecido por servir uma excelente cerveja Pils. Naturalmente, isso levava algum tempo. Por isso, quando o primeiro funcionário da Krone atravessava para a hospedaria depois do expediente, já fazia também o pedido dos colegas que viriam em seguida.
Os bares do pós-guerra e o Kegelkotten
Depois da Segunda Guerra Mundial, surgiram outras hospedarias em Spelle. Entre elas estavam o Gasthaus Geiger, na Adlerstraße — onde hoje funciona o restaurante grego Kreta —, e o antigo Stadionrestaurant, que reunia restaurante, café e discoteca. Esses estabelecimentos há muito ficaram no passado. No novo centro da localidade apareceram outros bares, como o pub irlandês Flanagans Harp. Somou-se a eles uma série de restaurantes de cozinha internacional.
Em 1977, Mary e Gerd Rolfes assumiram o Kegelkotten, na Venhauser Straße, e transformaram o estabelecimento em um bar apreciado por esportistas e jovens, além de ponto de encontro de toda a aldeia. Durante quarenta anos estiveram à frente da hospedaria, que alcançou verdadeiro status de culto entre os moradores. Ali sempre havia — e ainda há — alguma coisa acontecendo.
Venhaus: a curva, a eclusa e o Wehkamps Milchbar
No bairro de Venhaus existe há mais de cem anos a hospedaria hoje conhecida como Hotel Spieker-Wübbel. Por sua localização em uma curva fechada da antiga estrada principal, o estabelecimento era amplamente chamado de Zum scharfen Eck, “Na Esquina Fechada”. Atualmente, o Spieker-Wübbel é conhecido como hotel próspero, com salões para eventos e restaurante de boa cozinha.
Com a construção do canal Dortmund–Ems, surgiu perto da eclusa de Venhaus uma pequena taverna, entregue sucessivamente a diferentes arrendatários.
Da pequena casa onde se serviam bebidas nasceu o café e restaurante Zur Schleuse, da família Struckmann, um lugar muito procurado para passeios, com bufê de bolos aos domingos.
Perto da ponte do canal em Venhaus, na borda da região florestal de Barentelgen, foi construído depois da Segunda Guerra Mundial o Wehkamps Milchbar, um bar de leite no estilo característico dos anos 1950. Hoje funciona ali o Hotel Zum Waldwinkel, da família Schmale.
As antigas hospedarias de Varenrode
No bairro de Varenrode, em Spelle, fica uma das hospedarias mais antigas da região, a antiga Gaststätte Bolsmann, junto à rodovia B 70. Segundo a tradição oral, o estabelecimento já existia durante a Guerra dos Trinta Anos e provavelmente surgiu por sua localização na antiga estrada militar de Rheine para Lingen. Até 1792, a casa produzia sua própria cerveja.
A hospedaria, reconstruída em 1825, já pertencia então ao agricultor Bolsmann, de Heitel, que a arrendava. Entre os proprietários que a administraram estavam Heilker, Schmidt e Huser — este último, um professor aposentado —, Rauen, de Venhaus, Althelmig e, depois da Segunda Guerra Mundial, Heinrich Geiger. Em 1965, Geiger abriu uma hospedaria com mercearia na Adlerstraße, em Spelle.
Seu sucessor em Varenrode, August Höving, transformou a tradicional hospedaria Bolsmann em uma casa com salão muito procurado por grupos que viajavam de ônibus. O edifício foi reconstruído em 1935, depois de um incêndio, e continua sendo um ponto de referência marcante junto à B 70.
No fim do século XIX, Heinrich Veerkamp, de Spelle, abriu uma segunda hospedaria em Varenrode, hoje conhecida pelo nome de seu sucessor, Büssemaker. Infelizmente, ambas as hospedarias da aldeia já pertencem ao passado.
Agnes Büssemaker, a proprietária, ainda é lembrada por uma história. Considerada a alma bondosa da aldeia, certa terça-feira de festa dos atiradores, com a casa completamente lotada, ela não conseguia servir as bebidas com a rapidez necessária. Logo alguém gritou, em dialeto: “Agnes, ik kann nich seihn, dat du stille stäihs, doh us drock ne Runde.” Em outras palavras, não dava para vê-la parada: que servisse depressa mais uma rodada.
Quando Agnes perguntou “Cerveja e aguardente?”, veio de imediato a resposta: “Von wegen schier Ärpel”. Queriam, naturalmente, aguardente para acompanhar a cerveja. Afinal, ninguém come batatas sem molho!