Memórias de Portas Abertas

O antigo bar Heulende Kurve e os bondes da Telgter Straße em Münster

A curva barulhenta e o hotel Rheinischer Hof

A segunda parte do relato sobre os bondes e ônibus elétricos de Münster trata da chamada Heulende Kurve, de antigos bilhetes e das recordações de uma época em que os veículos elétricos faziam parte da paisagem urbana. Uma galeria de fotografias reúne imagens de bondes, trólebus e documentos sobre o transporte público da cidade. O autor, Henning Stoffers, também remete à primeira parte de sua história sobre os bondes.

Entre a Telgter Straße e a Salzstraße, junto ao Erbdrostenhof, os bondes precisavam passar por uma curva muito fechada. O atrito provocava ruídos agudos e rangidos. Em 1903, a responsável pelo hotel Rheinischer Hof, situado naquele trecho, apresentou uma reclamação contundente. Os hóspedes do hotel, segundo ela, eram perturbados excessivamente pelo barulho dos veículos.

Foi prometida uma solução para o problema. Apesar da boa vontade, ela não veio, mesmo com o trabalho especialmente intenso dos homens encarregados de limpar as frestas dos trilhos. Na linguagem popular, o trecho acabou recebendo o nome de Heulende Kurve, a curva que uivava. Uma taberna situada ali até meados da década de 1980 adotou exatamente essa denominação.

Um pequeno bonde levava copos de cerveja

O dono da Heulende Kurve teve uma ideia particular para relacionar a taberna à história dos transportes. Instalou trilhos perto do teto e fez circular por eles um modelo de bonde. Os reboques eram carregados com copos de cerveja. Assim, a referência à antiga curva dos bondes continuava presente dentro do estabelecimento.

O lugar continuou abrigando uma taberna, conhecida depois como Bunte Vogel. Os trilhos do pequeno bonde instalado no teto desapareceram havia muitos anos quando a história foi registrada. Restava uma representação de um bonde na placa projetada para fora da fachada, lembrando a antiga Heulende Kurve.

Como o trólebus entrava na garagem

Uma fotografia levanta uma questão incomum: nela aparecem um bonde e um ônibus elétrico unidos por uma barra e um cabo de corrente. Os coletores de eletricidade do ônibus estão abaixados. À primeira vista, não fica claro se o ônibus está sendo empurrado pelo bonde ou se ocorre o contrário.

Os pares de fios elétricos usados pelos trólebus não chegavam até a garagem das empresas municipais de transporte. O ônibus recebia, por isso, sua eletricidade do bonde, por meio do cabo que aparece na ampliação da fotografia. Com essa alimentação, o trólebus podia seguir por conta própria até a garagem, levando o bonde a reboque. Florian Adler, das empresas municipais, explicou ao autor que esses bondes eram chamados de Reinholer.

Os antigos bilhetes e suas marcações

O bilhete de papel estava se tornando cada vez menos comum quando esse relato foi escrito. No início do transporte público, aquele pequeno papel exigia um procedimento relativamente complicado. O cobrador precisava marcar a data e a hora do início da viagem, o lugar de partida e o destino. A troca de veículo era permitida somente junto à Lambertikirche ou no Servatiiplatz.

Um dos bilhetes reproduzidos no acervo trazia um erro de impressão: aparecia nele a Osnabrücker Straße. Münster tivera uma rua com esse nome alguns anos antes, mas já não na época em que o bilhete foi usado. O nome correto teria sido Warendorfer Straße.

Marcas discretas de lápis indicavam uma passagem válida no dia 24 de determinado mês, às 14h30, do Schützenhof até o ponto final Danziger Freiheit, na Warendorfer Straße, com baldeação no Servatiiplatz. Um anúncio lembrava que a compra de um livreto de bilhetes por 0,65 reichsmark oferecia desconto de 35%.

Outra instrução recomendava ao comprador conferir se o livreto continha os cinco bilhetes. O autor deixa em aberto se isso se devia à possibilidade de funcionários retirarem passagens para uso próprio ou a dificuldades de impressão e montagem dos blocos.

Para viagens além de Münster, por exemplo até Hiltrup ou Mecklenbeck, os passageiros precisavam recorrer aos ônibus postais do serviço Reichspost. Os exemplos apresentados datavam de cerca de 1935.

Cartões de várias viagens e o desaparecimento do cobrador

Em comparação com os bilhetes mais antigos, o cartão de várias viagens representou um avanço. Ele era vendido antecipadamente nos pontos autorizados. Quem quisesse apenas uma passagem podia comprá-la diretamente com o motorista. O passageiro passou a validar o próprio bilhete, usando um carimbo nos espaços reservados. Com essa racionalização, deixou de ser necessário manter um cobrador a bordo.

Henning Stoffers recorda que, quando era estudante, só teve algumas oportunidades de viajar de bonde. O passeio não era algo corriqueiro: exigia dinheiro, que era escasso. Também se lembra da proibição de falar com o condutor. Uma placa na cabine deixava a regra evidente. Avisos semelhantes permaneceram durante muito tempo nos trólebus e nos ônibus movidos a diesel.

O aparelho de dar troco usado pelos cobradores e cobradoras chamava sua atenção. Ele ficava pendurado diante do peito. Em uma bolsa lateral, eram guardados bilhetes de diferentes valores, perfurados com um alicate no momento da venda. As moedas eram separadas em tubos correspondentes às suas denominações. Ao receber uma moeda de um marco, o cobrador a colocava imediatamente no compartimento apropriado e devolvia rapidamente o troco, incluindo moedas menores e uma de cinquenta pfennigs.

Os ônibus elétricos e as lembranças dos moradores

Os trólebus marcaram a imagem de Münster durante apenas cerca de duas décadas e meia. Seus motores eram silenciosos e considerados favoráveis ao ambiente, mas os bancos de madeira ofereciam pouco conforto — algo que, naquela época, tampouco era exigido. Não havia cartazes publicitários nos ônibus como os que se tornaram habituais posteriormente.

Em dias de geada, os coletores dos ônibus produziam clarões azulados ao deslizar sobre fios congelados. À noite, a luz iluminava por instantes as fachadas das casas, criando, na memória do autor, uma imagem quase fantasmagórica.

As cartas de leitores acrescentam outras recordações. Frank-E. Skrotzki lembra um morador muito idoso, conhecido como o barão das cabras, que conseguia entrar no ônibus apenas erguendo a bengala na esquina da Grevener Straße com a Steinfurter Straße. Era levado ao asilo Martin-Luther-Haus sem bilhete, e a viagem de retorno acontecia da mesma maneira.

Uwe Clauss recorda o limpador das frestas dos trilhos, uma profissão que estava desaparecendo e podia ser perigosa. Por causa das roupas escuras, alguns desses trabalhadores foram atropelados. Ele também recorda bilhetes amarelos de cinquenta pfennigs e os carimbadores que às vezes tinham pouca tinta. Seu irmão apagava a marca com lâmina de barbear, alisava o papel com sabão e usava o bilhete novamente.

Stephan Andersen observa que a separação entre motorista e cobrador existiu também nos ônibus urbanos até aproximadamente o fim dos anos 1960. Alguns veículos conservaram por mais tempo o assento reservado ao cobrador. As crianças gostavam de ocupá-lo; certos botões de abrir e fechar as portas ainda funcionavam, embora fosse proibido acioná-los.