Memórias de Portas Abertas

Os antigos bares Zum Schwan da Schillerstraße e Cavete da Kreuzstraße

As antigas tabernas de Münster

Como era Münster meio século atrás? Um passeio pelas imagens das décadas de 1960 e 1970 mostra o quanto a cidade mudou. Alguns lugares são difíceis de reconhecer; outros parecem estranhos a quem conhece apenas as ruas atuais. Entre os assuntos dessas fotografias estão as antigas tabernas de bairro, que antes eram numerosas e hoje se tornaram raras.

A mudança também aparece nos bairros incorporados administrativamente a Münster em 1º de janeiro de 1975, entre eles Hiltrup, Roxel, Wolbeck, Albachten, Amelsbüren e Gelmer. As fotografias de seus antigos centros mostram o caráter de pequenas localidades que, ao longo dos anos, foi se perdendo.

Zum Schwan na Schillerstraße

O Zum Schwan, na Schillerstraße, ajuda a recordar o cotidiano das antigas tabernas de esquina. Há cinquenta ou sessenta anos, Münster tinha um grande número desses bares. Muitos proprietários acabaram desistindo do negócio por falta de rentabilidade.

Hubert Kavermann recordou uma função peculiar do Zum Schwan na década de 1970: seu salão servia de sala de espera para candidatos ao exame de direção. Os alunos das autoescolas eram chamados ao estabelecimento e saíam em duplas, dentro de um Volkswagen, para realizar a prova prática.

Às vezes, o candidato só descobria perto do meio-dia se havia recebido a carteira cinza ou se tinha sido reprovado. A reprovação não era incomum. Kavermann contou que fez seu exame ali em dezembro de 1972 e ficou feliz ao saber, por volta do meio-dia, que havia passado. O companheiro de prova teve menos sorte: sua avaliação terminou depois de cinco minutos.

Outras hospedarias dos bairros

Nas fotografias do mesmo passeio aparecem o Zum deutschen Herd, em Gimbte; a Gaststätte Homann, na Wolbecker Straße; o Mauritz-Eck, na Warendorfer Straße; a Dorbaum-Schänke, em Handorf; e a Gaststätte Kortmann, em Roxel. O conjunto mostra que as casas de encontro estavam distribuídas por bairros e localidades de características distintas.

No bairro de Kinderhaus, que contava com cerca de 16 mil habitantes, o último bar, chamado Zum Krug, fechou no começo da década de 2010. O desaparecimento desses estabelecimentos foi sentido como uma perda da vida cotidiana, fenômeno observado também em outras partes da cidade.

A Gaststätte Kortmann junto à igreja de Roxel

Hubert Kavermann também descreveu um costume associado à Gaststätte Kortmann, situada ao lado da igreja de Roxel. Nas décadas de 1950, 1960 e 1970, algumas pessoas tomavam uma dose de aguardente e fumavam um charuto antes da missa.

A bebida e o charuto eram consumidos pela metade. O copo ficava sobre uma saliência acima do balcão, e o charuto era escondido na alvenaria da igreja. Depois da celebração, os frequentadores voltavam para terminar o que haviam deixado, agora acompanhados de uma sopa e um pãozinho. Naquele período, havia o costume de não comer antes da missa e da comunhão.

A aguardente era bombeada do porão para os copos. O estabelecimento a adquiria em barris, e não em garrafas. Segundo a lembrança registrada, esse modo de servir continuou em uso até aproximadamente 1990. A pequena dose custava dez pfennigs; a sopa, cinquenta.

A Cavete da Kreuzstraße em 1959

Outra imagem de Münster registra uma novidade na vida dos bares. Em 1959, foi criada na Kreuzstraße a Akademische Bieranstalt Cavete, que trouxe novos ares à cena local. A criação e a montagem do estabelecimento aconteceram de maneira incomum: até mesmo o reitor da universidade apoiou a iniciativa.

Os estudantes Lothar Weldert e W. O. Jedamzik, sem experiência no setor de restaurantes e bares, organizaram os preparativos e conduziram as negociações com a cervejaria Germania. O resultado foi um bar diferente das convenções que até então caracterizavam muitos estabelecimentos de Münster.

Um cardápio de comidas e bebidas da Cavete, datado de aproximadamente 1960 e ilustrado por Paul Mersmann, apresenta o preço de uma cerveja: 35 pfennigs, acrescidos de dez por cento para frete e entrega.

A antiga Rietkötter da Ludgeristraße 29

O mesmo registro fotográfico apresenta a Gaststätte Rietkötter, no número 29 da Ludgeristraße. Ao lado ficava a loja de tecidos Müller Wipperfürth, no número 28, onde havia funcionado o cinema Capitol. A imagem mostra os primeiros sinais de atendimento ao ar livre.

Era comum que edifícios daquele período ainda não estivessem construídos em toda a altura permitida. As condições financeiras do momento podem ter influenciado esse aspecto. Muitos imóveis só receberam novos andares posteriormente.

A Heulende Kurve e o bonde junto ao teto

Uma das histórias mais incomuns de Münster envolve a Heulende Kurve. Entre a Telgter Straße e a Salzstraße, nas proximidades do Erbdrostenhof, os antigos bondes precisavam descrever uma curva muito fechada. Os ruídos agudos e rangentes levaram, em 1903, a proprietária do hotel Rheinischer Hof, situado exatamente naquele trecho, a apresentar uma reclamação contundente: os hóspedes sofriam com o barulho.

Prometeram resolver o problema, mas a promessa não teve resultado, apesar dos esforços dos trabalhadores encarregados de limpar os sulcos dos trilhos. A passagem recebeu da população o nome Heulende Kurve, ou curva uivante. Uma taberna que funcionou no local até meados da década de 1980 adotou esse nome.

O proprietário instalou uma pequena composição de bonde sobre trilhos fixados logo abaixo do teto. Nos vagões eram transportados copos de cerveja. A decoração retomava, dentro do estabelecimento, a memória dos antigos veículos e da curva que dera nome ao lugar.

Posteriormente, o local passou a abrigar o bar Bunte Vogel. Os trilhos suspensos desapareceram muitos anos antes, mas a representação de um bonde na placa externa ainda recordava a Heulende Kurve.

Bares e mudanças na cidade

As fotografias registram também o crescimento de Münster no período: canteiros de obras, prédios novos, antigos bondes e ônibus elétricos, mercados de Natal e ruas que mais tarde mudaram de função. A Ludgeristraße, por exemplo, permitiu a circulação de automóveis até 1969, quando se tornou a primeira rua exclusiva para pedestres da cidade.

O desaparecimento dos bares de esquina ocorreu ao lado de outras mudanças de comportamento e de lazer. O mesmo registro histórico observa que, com a chegada de novas mídias e a transformação dos hábitos, muitos cinemas também fecharam. As antigas fotografias, os cardápios e os depoimentos preservam detalhes da vida social que já não são encontrados nas ruas da mesma forma.

O passeio fotográfico pelas décadas de 1960 e 1970 também mostra o entorno da antiga estação de cargas, no Alfred-Krupp-Weg, e os núcleos de Gelmer e Amelsbüren. No relato pessoal que acompanha as fotografias, o autor recorda ter caminhado, quando criança, da Südstraße até o canal, passando pelas ruínas próximas aos trilhos, onde observava embarcações puxadas por rebocadores a vapor. A descrição situa os bares numa cidade em transformação, registrada nas mesmas séries de imagens que preservaram os nomes das antigas tabernas.